Suspense e mistério transformados em romances adolescentes dos filmes da Sessão da Tarde
Ontem à meia-noite e um minuto fui à Pré-estréia de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”. Assim que o filme inicia dá aquele friozinho na barriga. Uma abertura diferente, impactante. Os primeiros minutos são realmente surpreendentes: Comensais da Morte voando por uma Londres de trouxas, de pessoas comuns que se deparam com acontecimentos inexplicáveis, já que não possuem conhecimento a respeito do mundo da magia. Os mesmos seguidores de Voldemort vão então até o Beco Diagonal, onde o mistério e a intriga dão o ponta-pé aos desfechos que mais tarde – nos próximos filmes – serão explicados. Talvez seja este o primeiro problema. Mostra-se alguém sendo seqüestrado e, até o final da película não se explica ao certo quem é. Claro, para os fãs dos livros obviamente é fácil saber de quem se trata. Por falar em livro, precisa-se mencionar que poucas foram as cenas que o diretor David Yates seguiu da obra literária. Ao contrário do que todos os aficionados pelo bruxinho esperavam, Yates construiu algo completamente diverso daquilo que se leu nas páginas desta história britânica. O que era mistério, suspense e horas devoradas em cada nova descoberta da vida de Lorde Voldemort, terminou por se transformar em um filme de gênero comédia romântica adolescente. Não que tenha sido algo ruim, até porque achei bastante engraçado, porém, algo nessa mudança me deixou um tanto quanto irritadiça. É provável que o que tenha me irritado seja o fato de a um certo ponto duas garotas de Hogwarts, na enfermaria da escola, diante do suposto garoto que ambas são apaixonadas, começassem a discutir e brigar por causa dele, de sua atenção. Quer dizer, patético. Harry Potter não se trata de adolescentes brigando pela atenção um dos outros, mas sim a respeito da luta contra o bem e o mal. Outro ponto que se mostrou deveras decepcionante e, por que não dizer, um verdadeiro fiasco, foi o tão aguardado beijo entre Ginny (Bonnie Wright) e Harry (Daniel Radcliffe). Um selinho não conta como beijo. Além do mais, os beijos entre Rony (Rupert Grint) e Lilá (Jessie Cave) se apresentam muito mais calorosos e apaixonados. Todavia, nem tudo é uma droga. Pelo contrário, os personagens obscuros e os das trevas são simplesmente fantásticos. Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) está ainda mais louca do que aquela que vimos pela primeira vez Mesmo com efeitos especiais ainda mais eletrizantes e surpreendentes, faltou do diretor mostrar com mais interesse e destaque a história do Príncipe Mestiço, afinal de contas, o nome da saga deve-se a ele, pois em algum momento da história sua vida e a do Lorde das Trevas se cruzaram, transformando ambos em personagens principais, odiados e ao mesmo tempo amados.
Fazer uma crítica a respeito de Harry Potter não é tarefa fácil. Na realidade, qualquer coisa relacionada com as obras de J.K. Rowling requer um certo cuidado ao comentá-las.
